10/03/2010 10:03
Véio - Esculturas
Esta exposição, organizada pelo Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro e realizada na Galeria Estação, retrata e valoriza a cultura e as tradições do semi-árido sertanejo sob a ótica singular de Cícero Alves dos Santos (Nossa Senhora da Glória – SE, 1948). Véio, como é mais conhecido, virá a São Paulo para fazer uma visita guiada com o público na abertura do evento, dia 11 de março. Com curadoria do artista plástico Paulo Monteiro, a mostra apresenta cerca de 100 obras que recriam, de forma onírica e crítica, o dia a dia do sertanejo.
Quando o escultor sergipano olha um tronco de madeira “aberta”, ele já reconhece a imagem que ali se insinua – a imagem se molda à forma natural do tronco –, percepção rara conferida só aos grandes artistas de raiz, entre os quais se destacam ainda José Bezerra e Fernando da Ilha do Ferro. Véio, contudo, também trabalha com troncos “fechados”, que são inteiramente talhados para ganharem representação. As histórias do povo sertanejo, com seus misticismos, lendas e lutas relacionadas à natureza, são o tema de suas esculturas, que poderão ser conferidas nesta primeira individual do artista na capital paulista.
Segundo o curador, troncos abertos ou fechados não dividem o trabalho de Veio, e o conjunto de suas esculturas nos leva ao contato com as lendas, os costumes e os aspectos mágicos da relação histórica de um povo com a natureza. “Talvez isso ocorra porque o universo de Véio é incompleto e, assim como a história e o mundo natural, está sempre em mudança – a todo o momento surgem novos temas e novas formas; abstratas, figurativas, grandes, médias, pequenas ou minúsculas”, explica Monteiro.
Assim como muitos de seus conterrâneos, o escultor recebeu seu nome em homenagem a Padre Cícero. Já o apelido surgiu porque ele gostava muito de escutar as conversas das pessoas mais velhas. Autodidata, Véio admirava a cultura popular desde criança, quando começou a executar suas primeiras peças em cera de abelha. A relação intensa com seu meio fez o artista criar, ao lado de seu ateliê, localizado no interior sergipano, um “Museu do Sertão”. Muitos dos objetos recolhidos no museu testemunham o embate do homem do campo com a natureza. São chapéus de couro, utensílios domésticos, maquinas rústicas, roupas e acessórios que fazem parte da vida do sertanejo.
Segundo Paulo Monteiro, o “Museu do Sertão” é um depósito poético, uma coleção de sentidos para sua obra, onde brinquedos, instrumentos, peles de animais e ferramentas convivem com caveiras de bois, móveis antigos e santos de gesso. “Onde, enfim, podemos encontrar os modos e os motivos que o levaram a se tornar artista. O próprio Véio costuma dizer que se tornou artista para contar a história de seu povo”, completa o curador.
11 de março: das 19h às 20h, visita guiada com o artista; às 20h, abertura da exposição
13 de abril: às 20h, conversa com Paulo Monteiro e Thiago Mesquita
| Cidade: | São Paulo |
| Estado: | São Paulo |
| Endereço: | Galeria Estação - R. Ferreira de Araújo, 625 - Pinheiros |
| Inicio: | 11/03/2010 |
| Fim: | 15/05/2010 |
| Horário: | Seg - Sex 11h - 19hs Sáb 11h - 15hs. |
| Preço: | Entrada franca |
| Telefone: | (11) 3813-7253 |
| Site | www.galeriaestacao.com.br |




















