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Título:
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Delacroix Escapa Das Chamas Uma Novela Em 4 Tempos |
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Sinopse:
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SHANA TEM A RECEITA
NA PALMA DA MÃO
Palmério Dória
Shirley Shana não é Dilma Rousseff. Mas, se fosse hoje, a despachante, diligente como ela só, ia encontrar um jeito de chegar na ex-secretária Lina Vieira, para agilizar o caso do seu cliente, o crítico de arte Wagner Krupa, encrencado com a Receita Federal.
Wagner Krupa também não é José Sarney. Só perdeu o crédito, por causa de uma tramóia muito bem armada por gente atingida por sua língua ferina no programa Arte & Antiarte, transmitido pelo ArTV Channel para todas as shopping cities de São Paulo.
E São Paulo não é a de 2009, mas a de 2068, com 92 dessas cidades-cubo, cada qual com 50 mil consumidores muito bem apartados da ralé, da escumalha, dos merdunchos, da barbárie reinante lá fora – a Shopping City de Wagner Krupa e Shirley Shana é a 22, numa evidente alusão à Semana de Arte Moderna de 1922.
Desde que não percam o crédito, é bom lembrar. Justamente o que acontece com Wagner Krupa em Delacroix escapa das chamas, o romance futurista de Edson Aran que a Record acaba de lançar à distância. Aí é que nem hoje em dia. O cara vai pro inferno ou pra Sibéria.
O mundo também não está para a plantação de facécias, dividido entre entre hitleristas moderados, teomarxistas, califas pirados, narcotraficantes, o escambau. Pior: não dá para passar o fim de semana no Rio, com os morros até aqui de água por causa do aquecimento global, mas as escolas de samba arrumam um jeito de desfilar.
O inferno astral de Wagner Krupa, talvez descendente do baterista e compositor Gene Krupa, começa quando esculhamba o afamado artista plástico Hiroíto Shima, criador do Geneticismo -- obras de natureza-viva ou bioarte expostas na Galeria Avangard, na Alameda Jackson Pollock.
Não, aqui ninguém saberá os detalhes do calvário que Wagner Krupa encara para recuperar o crédito com mãozona providencial de Shirley Shana. Isso o Edson Aran faz primorosamente. É apenas um dos núcleos da trama, para usar a linguagem dos novelões.
Melhor falar um pouco dessa voluptuosa despachante que, além de limpar o nome de Wagner Krupa, salva-o da Unidade Carandiru, as prisões da Federação Legalista Brasileira, e de outras tretas.
Como bom diretor de redação da revista Playboy, Aran deu a maior força para Shana nos 4 tempos em que divide o seu primeiro romance. O resultado é: Yes, nós temos heroína! Ela tem a receita. A Receita Federal na palma da mão.
Delacroix escapa das Chamas tem tudo que um bom thriller cinematográfico deve ter. E Shirley Shana está destinada, se depender do prezado leitor, a ganhar sua versão em holofilme – nas cidades-cubo tudo é holototal --, mesmo que Ivan Lessa diga, na orelha do livro, que Aran não quer isso.
Quem sabe na pele de Louise Bourgoin, estrela francesa que explodiu (de gostosa) nas telas agora em Garota de Mônaco. Só que, em vez das minis esvoaçantes que Louise exibe em sua scooter, Shirley Shana prefere modelitos mais clássicos (ela é despachante, não se cansa de repetir), como “um macacão preto mais justo que a ira de Alá, o Misericordioso”, e a inseparável bolsa Louis Vuitton.
O romance às vezes não cheira bem. Quando Wagner Krupa apela para os seus serviços, Shirley Shana sente algo de podre no ar. É um dos perigos de estar sem crédito. A coisa literalmente fede. Sem guarujás -- a moeda corrente -- para comprar desodorante, o crítico deixa o rastro do seu budum no apartamento da heroína na avenida Sebastião Salgado, piso 37, um dos endereços mais chiques de Shopping City. Shana, por sua vez, parece ter perfume com cheiro, herança genética da família.
Letal, Shirley Shana faz chover e chuviscar. Elucida a fraude multimilionária no leilão dos quadros de Eugène Delacroix, o autor do clássico Liberdade guiando o povo -- “uma verdadeira obra de arte e não uma pós-picaretagem transvanguardista de merda”, nas palavras do crítico Wagner Krupa -- e de François Boucher – O arrebatamento de Europa. Despacha seus oponentes para o inferno (afinal, ela é despachante). E transforma homens em amebas e samambaias. O resto é história.
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Autores:
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Edson Aran |
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Editora:
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Record |
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