Cartazes, uma arte sem barreiras

A extraordinária coleção de cartazes foi iniciada no começo do século XX, quando o colecionador Gustave Dutailly, um botânico, deu à Prefeitura da cidade cinco mil peças, com destaques incríveis de artistas como Toulouse Lautrec, Steinlein, Eugène Grasset, Jules Cheret, considerado o pai do cartaz, Pierre Bonnard, James Ensor, Felix Vallotton, só para citar alguns mais conhecidos. Interessante notar que este acervo ficou esquecido até que o Ministério da Cultura francês decidiu promover algumas cidades como sedes de áreas culturais importantes no contexto da tradição gaulesa. Chaumont foi escolhida para ser a Cidade das Artes Gráficas, propiciando assim que a Prefeitura criasse o Museu, além de um Festival Internacional do Cartaz, em 1990, cujas peças participantes de cada edição passam para o acervo.
O Museu conta com mais de 30 mil cartazes contemporâneos, um dos maiores acervos deste gênero na Europa. O visitante pode, no entanto, apreciar na exposição do ITO, em impecável montagem, peças de extrema expressividade do século XIX para o XX e do ano de 1980 até a atualidade. Concebidas por designers de alto padrão estético, que criaram uma linguagem ágil, refletindo os conflitos e confrontos íntimos das transformações culturais de cada década. A variedade de peças expostas impressiona pela vitalidade da arte gráfica francesa, essencialmente audaciosa sendo referencia para novas perspectivas técnicas, das tradicionais às mais avançadas.
No início, a existência dos cartazes nas cidades, visava difundir atividade cultural e de lazer, como também a publicidade de produtos para consumo. Tais peças eram concebidas por artistas plásticos que compunham imagens de extrema sutileza requintados ícones da Belle Époque, como os incríveis affiches de Toulouse Lautrec,especialmente a litografia denominada “Aristide Bruant em seu cabaré” de 1893.
Apesar de não ter existido na França, escolas ou movimentos revolucionários no campo do design gráfico, diversos artistas acabaram criando surpreendentes cartazes que introduziram um encantador prazer estético. Deve-se frisar que foi na França que surgiu o cartaz moderno de grande formato e grande tiragem, entre 1865 e 1870, pela visão criativa de Jules Cheret, que soube utilizar os progressos da cromolitografia.
Muitos artistas gráficos franceses participaram dos movimentos estudantis como Maio de 68, reunindo-se depois num grupo denominado Grapus, se envolvendo na área política e social, cujo trabalho era feito totalmente à mão. Os grafistas suíços que atuaram na mesma época, em Paris como Jean Widmer e Peter Knapp tinham uma linha em que predominava o abstrato e essa tendência se espalhou nas revistas, no comércio, nos museus e nas ruas.
Na década de 90 uma dupla revolucionou a capital francesa, os M/M Paris, criando formas inovadoras vinculadas aos movimentos artísticos que marcaram a história, captando grafismos espontâneos deslumbrantes propondo novos diálogos com a cena urbana.
Na atualidade, o cartaz ganha uma nova dimensão plástica rompendo barreiras, propiciando incursões inusitadas na linguagem gráfica, ampliando as formulações da expressividade artística dos designers.
José Henrique Fabre Rolim




















